quinta-feira, 29 de agosto de 2013

I LIKE YOU.




QUANDO OS NÃOS VIRAM SIMS, FOI QUASE SEMPRE PORQUE OUSÁMOS. 

Rebobino, logo: existo


Eu rebobino, num tempo do verbo presente, que fala de outros tempos de verbos, em gramáticas da vida que trazem momentos e historias para contar, e dar, e entregar. 
Assim existo desde que o botão do play se fez anunciar, com caminho pela frente, com sonhos a virarem realidades, com projectos que me cairam nas mãos para costurar, emoldurar e enfeitar. 
Tenho sorte. Sei que tenho. 
Tenho sorte nas pessoas certas, nas horas certas, que me dão as suas mãos, a sua arte, as suas ideias, o seu tempo, a sua dedicação. 
Boleia boa da vida, é o que é. 
Faço  declarada e descaradamente o que gosto, faço o que sinto, e sinto o que faço, não há melhor guião do que este para levar os dias. 
Rebobino logo existo. 
A todos os meus meninos criativos da edição, da imagem, do video, da musica, do grafismo, do som, e das palavras, agradeço do fundo do coração. 
Somos francamente melhores, se não estivermos sózinhos. 
A vida conta-se assim também. 











sábado, 25 de maio de 2013

A Tempo do Compasso, eu espero.



Deve ser por causa disto. 

Deve ser por esta imagem que habita a minha memória em tempo que já não sei. 
Esta fotografia dos meus pais foi tirada numa festa em que para não variar se mascararam a rigor. 
Bonnie&Clyde. 



Um dia, num qualquer Domingo de agora, e porque o sol se deixou ver, fui ao Jardim da Estrela. 

Adormeço debaixo de uma árvore, e acordo ao som de uma musica que parecia não sair do sonho. 
Era o Coreto.Ali se dançava imparávelmente. 
Percebia-se que sabiam o que faziam. Sabiam como dançavam a encantar os olhares de quem os via. 
Fiquei a saber que queria dançar assim um dia. Com todas as inseguranças que nos povoam para o desconhecido, fui. Tenho pressa que o tempo me dê o compasso certo. 
Mas respiro a saber que um dia talvez possa voar nessa dança.
Posso dizer que o meu fascinio vem daqui:
em 1980 fui aluna de sapateado numa escola de circo no bairro alto. 
O Mestre Mariano era o professor, tinha aprendido a dançar de tanto ver o Fred Astaire na televisão. 
Um homem que nunca mais vou esquecer. 

Depois tem outra coisa. É a estética da época. 

Os anos 20  e 30 são os meus. 
Gosto de tudo o que imagino se vivesse nesse tempo. Gosto da luz, dos cheiros, das boquilhas, da musica, das perolas, dos sapatos, das plumas, das vozes, dos olhares, da musica, das boinas, dos chapéus, do brilho mate em que se vivia...

O LindyHop faz-me viajar num sonho afinal possivel.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

AS SAUDADES NÃO TÊM PRAZO.


Olá Pai. Hoje é dia de festa. São 80 anos. 
Acordei a imaginar o que seria festejá-lo hoje neste dia em que o Sol se deixou ver. 
Iriamos juntar toda a familia, todos os seus amigos, regávamos a festa com vinho e enchiamos balões, o banquete seria digno e farto, e a musica tambem não iria faltar. 
Na minha fé por vezes duvidosa e vacilante, consigo pelo menos hoje, acreditar que nestes moldes a festa seja assim aonde quer que esteja. 

As saudades não têm prazo para o tamanho de que são feitas, e se todos os dias o penso, hoje ainda o faço com mais força, e mais aperto. 
Percebi ao longo destes anos, que já não são poucos, que as pessoas que gostamos verdadeiramente, continuam connosco enquanto nos lembrármos delas, e é verdade que assim o vivo nos meus dias. 

Os seus netos sabem de si, e conhecem-no pelas tantas historias e exemplos que ouvem dos outros e de nós. E de facto é impressionante os apontamentos que temos das mais variadas pessoas a falarem de si, por esta ou aquela razão...tanta coisa aqui nos leva a si. 
Não pode haver melhor forma do que esta para se ter vivido. 
A sua vida foi tão cheia e tão preenchida com tantas cores,direcções,emoções e interesses que dava um filme...
E vai dar!

Outro dia numa missa o Pe Vasco Pinto Magalhaes que invariavelmente estava iluminado, dizia que o significado da palavra Obrigado era Estar Ligado. Como pode imaginar agarrei-me a esta verdade tão verdadeira e dela me apropriei pelo sentido que me faz. 
Obrigada Pai por nos ser assim, e por tudo e por tanto que nos deu e dá.
Estamos ligados, sim.

Parabéns pela vida que se fez tão plena e tão confessada. 
Um beijo sem fim 
Catarina

domingo, 14 de outubro de 2012

Janis Dellarte Brilhou e Encantou.


Conheço a Maria Ana desde pequena. 
Fui acompanhando o seu percurso, nem muito de perto nem de muito longe. 
A Maria Ana seguiu o seu caminho para Londres com a promessa de se cumprir. 
E cumpriu. 
Foi reconhecida e convidada para apresentar uma instalação no Mude na semana da Moda Lisboa. 
Um sucesso. 
A adesão foi total: era ver os jornalistas e amigos, familia e desconhecidos a curtirem a sua obra digna de registo. 
Eu filmei como pude no meu iphone. A agradeço ter ido graças ao meu irmão Vasco que me facilitou e convenceu a meter-me num taxi para o Chiado naquela 6 feira. 
Ainda bem que fui. Ninguém tira de mim aquele momento. Ao meu lado estava a Ana mãe, emocionada, a vibrar com o brilho da sua filha. E eu estava lá para tudo ver e ouvir. 
O brilho dos outros tambem é nosso. 
A musica era brutal cantada com a alma e o coraçao na mão pela voz da mexicana Chavela Vargas "Amar Duele"....Os modelos em carne e osso escolhidos a dedo a fazerem par com os tecidos e mochilas/sacos que transportavam de uma forma muito curtida. Meio tribal, rastas, sossegados e serios. 
Adorei. 
A Maria Ana não sabia se calhar que podia brilhar assim. 
Que este dia lhe sirva para um caminho de inspiração e humildade.
Ficava por dizer a extravagancia coerente da coisa, baseado nas suas musas que são nem mais nem menos que Frida Khalo, Janis Joplin e Cruella Devil...
Tudo isto me encantou. Fica escrito. 

sábado, 13 de outubro de 2012

Rio que se rende aos nossos pés



A PAISAGEM NÃO TEM DONO



Há paisagens que são de todos. 
Estão ali á mão de ver e viver, sempre paradas, nunca iguais, á nossa espera. 
É a forma que tem o mundo de se dar a nós que nele andamos, ás vezes tão apressados que nem nos damos conta. 
O rio nestes dias tem sido meu, nos meus andares, no meu respirar, na minha vontade de me sentir melhor. 
Parece que o vejo sempre como se fosse a primeira vez. 
É meu, é vosso, é nosso, é de todos, porque afinal não é de ninguém.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Lisboa nos Braços e nos Abraços

HOJE NO RIO

O Rio está muito perto de nós.

É por isso que também que me convida a ir sempre que posso andar ao longo da sua margem para a frente e para trás.
Hoje havia um grande paquete a aproximar-se do porto de Lisboa, trazia pessoas com sonhos lá dentro.
Sonhos que Lisboa vai cumprir na sua beleza e luz.
É isso que gosto de imaginar: as expectativas dos estrangeiros que nos visitam e a conferencia das mesmas. Lisboa confere aos meus olhos. É mais bonita do que se pensa. É mais bonita do que se espera.
E quem a Vê pela primeira vez encanta-se e nunca mais esquece. Há lugares assim no mundo. 

No meio da minha caminhada convicta, observo o que se me depara pela frente. Era uma senhora tambem de fato treino como eu a acenar com os dois braços qual codigo morse para o paquete, talvez com a ilusão que alguém a visse de um camarote e acenasse de volta. Depois um casal mais a frente a fazer a mesma coisa. 

As pessoas são boas, são abertas e abrem os braços para quem chega de novo, é como se cada um de nós fosse anfitrião da cidade, que é nossa e de todos os outros  que a queiram visitar para nunca mais esquecerem o que viram, o que sentiram.

A Lisboa rendida me sinto.