segunda-feira, 24 de março de 2014

Para que servem os Muros?

Gosto de Lisboa, muito. 
Gosto de encontrar e parar para ler os grafittis, que se declaram em paredes e muros com critério. 
Gosto da ideia de imaginar que alguém se deu ao trabalho de escolher o lugar onde pinta e escreve o que sente.
Gosto da ideia de realizar que alguém leva tinta ou giz e declama paredes fora o que lhe vai na alma. 
Gosto de ideia de apanhar essa boleia e levar comigo o que alguém sentiu. 

Podem ser mensagens sem retorno, anónimas ou assinadas, alegres e desesperadas. 

Que falem de esperança e encontro, que falem de caminhos com curvas. 
Que falem de amor e cerejas,  que falem da importancia de abrirmos os olhos.
Ou que sejam citações famosas em assumido plágio. 
Seja como for e o que for, está escrito e prantado sem contagem dos dias, ali, em paredes e recantos que são de todos nós, e falam sem voz. 
Pinta-se a vida em instantes nas paredes e muros de Lisboa, para quem os quizer apanhar. 
Eu, não lhes resisto, e gosto quase sempre do que me faz parar. 
Assim está Lisboa nos dias que correm, cada vez mais bonita e enfeitada. 
Maquilhada com sentir, em frases que se guardam...









quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O meu casaco de pele de leopardo




Tinha um sonho, vem do meu imaginário, na memória da minha Querida Mãe Guingas na sua época aurea. 
O meu Avô ofereceu-lhe com legitimidade e bom senso um casaco a 3 /4 em pele de leopardo. Lindo. 
Ela usava-o destemidamente com tudo e para tudo nos anos 60 e 70 e 80. 
Lembro-me bem dela com o seu cabelo forte e carinha sempre a rir, vestida neste casaco. 
Ficou. 
Um dia vitima das tendências da moda, pegou no casaco e transformou-o num blusão versão anos 90 com cabedal preto a rematar…. um horror. 

O casaco tal como era ficou para sempre pendurado num cabide da minha memória. 

Este ano, por acaso ou não, vejo o casaco como era o dela, numa loja. 
Perdi-me nele, perdi a cabeça e avanço com o cartão de crédito, decidi: 
Eu ia cumprir o meu sonho, deixar de o ter pendurado num cabide da minha memória. 
Comprei-me um presente de Natal. 
Sem complexos, sem culpas, só porque sim. 

Tive de partilhar com as pessoas que mais gosto, como se a pedir aplauso e aprovação para o meu atrevimento. Nem todos foram capazes de entender que aquilo não era um capricho material, mas sim a liberdade de herdar e cumprir um sonho antigo. 

Existem cabides destes na minha vida, na minha cabeça, e no meu coração. 
A capacidade de cumprir sonhos torna a vida mais interessante. Assim penso, assim sinto, assim vejo.  

O meu maior contentamento foi constatar que amigas minhas que se lembram da minha Mãe como eu, depressa entenderam a ligação. Quero isto dizer que valeu a pena. 
Agora resta-me vestir-me nele e dançar a vida. 

obs- Importante acrescentar que o mesmo é não é verdadeira pele de leopardo, nos dias que correm não seria possivel para mim, é uma imitação, sim, mas com dignidade e pinta. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Mar sem Desamar.

O Mar tem estado bravissimo.
Em turbulência constante e por isso ameaçadora.
Inquieto e imprevisivel.
Agitado sem dar tréguas.
Sem poder consigo próprio.
Sem controlo.
E ai de quem se atreva a enfrentá-lo.
Sai lesionado para sempre, seguramente.
Destruiu casas, e bares, e paredes e não parece ter medo de nada nem de ninguém. Tal é a sua zanga.
As leis da Natureza são para levar á letra. Respeito impõem-se.

É preciso que hajam tempestades para bonanças vindouras.
Inquieteção, para calmaria.
Desordem para a ordem.
Euforia para o sossego.

Estive no mar nestes ultimos dias.
Salvei-me com a minha propria boia, a nadar e a respirar contra a corrente.
Cheguei a terra e fiz-me gente.
Estive como o Mar, agora estou em Terra, apaziguada.
Em bonança, a descansar.
Talvez inspirado em mim, ou o contrário, o Mar também amainou.
Agora só cheira a maresia..e a Lua está contente.